Um plano diretor para a indústria goiana

Edwal Portilho Tchequinho

Presidente-executivo da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial de Goiás (ADIAL) e ADIAL-LOG.
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Imagem: Freepik

A economia brasileira, em outros tempos, se reerguia sozinha, e foi assim por décadas. Desde 2015, quando o País entrou em crise, alterna entre estagnação, recessão e paralisia.

Nos últimos meses, o governo estadual começa a construir pontes para a retomada do crescimento ao restabelecer a captura de sinergia entre o público e o privado. A recém-criada Secretaria de Retomada traz como propósito “a conexão entre indústria, comércio, economia, Secretaria de Agricultura, EMATER, gabinetes de resultados e de ações sociais.”

Agora, qual a retomada no nosso entendimento? A que ocorra em prol da melhoria do ambiente de negócios, onde a ADIAL oferece a sua experiência de gestão, planejamento, elaboração de projetos e discussões relevantes. É preciso fortalecer a vocação industrial disseminada por Goiás. Estudo da ADIAL mostra que dos 246 munícipios goianos, 220 têm indústrias. É preciso ampliar este diagnóstico e identificar pontos de melhoria, explorar a geração de empregos regionais. A indústria é o motor da empregabilidade, com vagas que qualificam e remuneram mais.

É virtuoso valorizar o parque instalado. Goiás tem o 7º parque fabril do País, sem excessiva concentração, mesmo sabendo que a vocação de dos municípios vai sempre preponderar. Estes são espelhos para os demais e devem estar no foco deste inédito planejamento direcional.

Além deste grande mapa da indústria goiana, precisamos agir nos pontos de gargalos operacionais e burocráticos. Atacar questões que possam trazer insegurança é demonstrar ao mercado uma nova visão desenvolvimentista e ágil, como as relativas aos incentivos fiscais, que precisam sempre ser vistas e revistas para melhorar os resultados.

O ProGoiás deve ser regulamentado em breve. Para atingir seus objetivos, além de atrair mais empresas e alcançar a migração almejada, precisa ser balanceado, pois as empresas vão avaliar o andamento e sua operacionalização para decidir. É preciso que os dois lados atuem, para alcançar o seu máximo. Não se faz um programa deste porte para ser mais ou menos – ele precisa ser o melhor.

A própria alíquota de 15% do Protege que foi estrategicamente adotada para fortalecer a migração, mas para a maioria das atividades, é inviável. Neste meio tempo, engavetou-se uma série de projetos ou se forçou a busca de aquisição ou expansão em filiais fora de Goiás. Temos de pensar soluções quando temos algum gargalo à frente. Em qualquer situação futura, esta alíquota é uma anomalia no sentido operacional e, de forma proativa, precisa estar sempre na pauta desenvolvimentista do governo e da Secretaria da Retomada.

O mérito deste novo momento de integração de ideias é que será proposto um novo olhar para a industrialização. Passamos a limpo a relação. A indústria é um ativo de Goiás e precisa, como fazem os principais países do mundo, valorizar e proteger as suas fábricas. Nenhum país desenvolvido abre mão da sua indústria. Vamos olhar para vários cenários e variados períodos. Vamos ter um plano diretor para nossa indústria e, com certeza, seremos copiados por todos no Brasil.

A regulamentação do ProGoiás e da lei ambiental, ambos já aprovados, vão destravar investimentos. Sem demora, é preciso agir na finalização destes processos para abrir novas frentes de trabalho, de atração de empresas e de geração de empregos.

Historicamente, uma das grandes travas de investimentos são os processos de licenciamento e outorgas ambientais no Estado. Temos bilhões de reais represados e outros tantos bilhões que já perdemos para outros Estados, por falta das liberações formais necessárias.

Com a retomada, vamos criar condições para ampliar a agregação de valor na commodities. É a forma natural que temos de ampliar emprego (pois a fábrica está aqui), gerar imposto (pois a exportação in natura é isenta) e atrair novos negócios, pois toda fábrica precisa de fornecedores de insumos e serviços satélites.

Virar essa chave é ampliar o ganho do produtor, fortalecer a indústria local e elevar as receitas tributárias. E, melhor momento não há, pois vamos oportunizar a nossa cadeia produtiva os modais ferroviários, com o hub em Anápolis, mas com interligação em Rio Verde e São Simão, com modais e terminais. É o cenário benigno viável ao desenvolvimento, somado a um plano diretor industrial, teremos condições de duplicar nossa indústria em uma década.

A indústria goiana está ansiosa para retomar o crescimento. Podemos sair na frente. Faltam poucas amarrações para destravar nosso potencial. Temos o aval da sociedade e com o apoio dos agentes públicos, entregaremos riqueza por meio de impostos e empregos. A palavra de ordem é desenvolver – e só ocorre quando todas as forças constroem juntas este caminho.

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