Já temos voto eletrônico “auditável” e confiável

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Em meio à polêmicas sobre a forma das eleições no Brasil, o executivo Marcos Freitas Pereira defende o voto eletrônico. (Crédito da foto: TSE - Tribunal Superior Eleitoral)

*Por Marcos Freitas Peireira

Vivemos momentos sombrios, há quase 40 anos minha geração, eu ainda universitário, conquistava, enfim, a restauração da democracia no Brasil. E não foi nada fácil, foram mais de 20 anos de ditadura militar e agora na jovialidade da nossa democracia alguns insistem em ameaçá-la acreditando que a população ficará inerte a qualquer movimento neste sentido.

Nesses dois anos e meio, desse pior governo de todos os tempos, as ameaças pelo Presidente Bolsonaro e pelas forças armadas têm sido uma constante, seja contra as instituições: Congresso e STF; seja contra à imprensa, ou seja, contra a oposição, elas revezam entre os seus autores.

A última, publicada no jornal o Estado de São Paulo no dia 22 de julho de 2021, é uma suposta ameaça do Ministro da Defesa General Braga Netto feita no dia 08 de julho de 2021 ao Presidente da Câmara Arthur Lira, através de um interlocutor político. Ao dirigir-se ao interlocutor o Ministro estava acompanhado dos chefes militares do Exército, Marinha e Aeronáutica. A ameaça dizia que não haveria eleições em 2022 se não houvesse voto impresso e auditável.  Essa mesma ameaça foi dita pelo Presidente no mesmo dia na sua claque diária de entusiastas.

Cabe as Forças Armadas cumprir a Constituição Federal de 1988 conquistada pela minha geração, as eleições periódicas e sucessivas fazem parte da carta magna do nosso país, essas ameaças não passam de “balelas”. Não estamos mais em 1964, o povo sabe dos seus direitos e reconhece o que é uma democracia, portanto, não acredito que as Forças Armadas, que até antes deste medíocre governo era uma instituição extremamente reconhecida pela população brasileira, vão arriscar esse prestígio conquistado.

O objetivo desse artigo é tentar demonstrar que já temos voto eletrônico “auditável” e confiável. Esta auditoria e confiabilidade se dão através das pesquisas eleitorais realizadas pelos institutos de pesquisas.

É importante relembrarmos os conceitos estatísticos envolvidos nas pesquisas eleitorais. Para se determinar uma fotografia em um determinado momento a estatística estabelece uma amostra que representa fielmente a população a ser analisada. Se na população há mais homens do que mulheres, a amostra tem que representar isso e a amostra deve representar fielmente as classes sociais existentes na população, bem como, outros fatores, faixa de idade por exemplo.

Apesar de todo o cuidado para escolher o público da amostra e para calcular as previsões, os resultados não são exatos, por isso normalmente a pesquisa traz uma margem de erro entre 3 e 4 pontos percentuais para mais ou menos em um intervalo de confiança de 95%. Para entender como são feitos os cálculos, é importante ter algumas noções básicas de estatísticas: média, desvio padrão e variância.

Neste contexto acima pode se afirmar que desde 1989, a primeira eleição para Presidente da República após o retorno da democracia brasileira, os resultados das urnas têm comprovado as pesquisas eleitorais realizadas por grandes institutos de pesquisa, Datafolha e Ibope, sendo os principais neste período.

As pesquisas são realizadas em dois momentos diferentes, antes das eleições: dois a três anos antes iniciam-se as sondagens através das pesquisas eleitorais de possíveis e prováveis candidatos, até a eleição tem-se uma evolução dessas pesquisas. O outro momento de pesquisa é a pesquisa de boca de urna que é a sondagem no momento que o eleitor deixa a sala de votação e ela é divulgada somente após fechamento das urnas.

Portanto, a evidência de qualquer fraude em eleição para presidente seria uma constatação de um resultado das urnas muito divergente dos resultados das pesquisas eleitorais realizadas no período e da pesquisa de boca de urna realizada no dia do pleito.

Nas pesquisas anteriores à eleição, retratam uma fotografia daquele momento, portanto, a análise técnica para os políticos é a tendência dessas pesquisas. Como a última dessas pesquisas ocorre dias antes do pleito pode haver uma discrepância entre a pesquisa e o resultado final, isso deve-se a mudança do comportamento do eleitor no período entre a pesquisa e a eleição. Fato que ocorreu nas eleições de 2018 que o resultado contrariou algumas pesquisas para Governador de Estado em função do crescimento dos candidatos na última semana que apoiavam o Presidente Bolsonaro.

Já a pesquisa de boca de urna, quando aplicada cientificamente, com todos os métodos estatísticos por grandes institutos de pesquisa, a probabilidade de acerto é muito grande, desde 1989 não houve surpresa. Um episódio importante aconteceu com a pesquisa da Datafolha em 1989, a pesquisa de boca de urna apontava Collor de Mello em 1º. lugar e Leonel Brizola e Lula empatados tecnicamente em 2º. lugar. A confiança da Folha de São Paulo na pesquisa foi tão grande que a manchete do Jornal no dia seguinte apontava o segundo turno entre Collor e Lula antes da apuração dos votos impressos.

Portanto, na vigência da jovem democracia brasileira não há nenhuma evidência de fraude que tenha influenciado resultado da eleição para Presidente da República.

Como não há evidência sobre fraude não se pode, em hipótese alguma, aceitar ameaças da possibilidade de não ocorrer eleições em 2022 em função do voto ser eletrônico e não no papel. Essas ameaças atacam as instituições brasileiras, atacam a democracia, atacam o estado de direito, essas ameaças devem ser apuradas e punidas.

Que tenhamos uma festa da democracia em 2022!

Viva o povo brasileiro!

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*Marcos Freitas Pereira – Sócio da WAM Brasil – Natural de São Paulo, acumula mais de 25 anos de experiência de mercado. Doze destes anos foram como administrador em cargos de comando na Pousada do Rio Quente Resorts. Exerceu as funções de Gerente de Orçamento e Finanças, Controller, Diretor Estatutário Administrativo Financeiro e Diretor de Relações com o Mercado. Além disso, dois anos como Diretor Superintendente, principal executivo da empresa.

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